16/12/2015

Paulo Morais: o candidato à Presidência da República sem medo que deu uma aula de coragem no CdP



 Mário Russo / Paulo Morais
Joaquim Jorge convidou Paulo Morais para um debate como candidato à Presidência da República no 101.º debate organizado pelo Clube dos Pensadores ( CdP) e o fez em boa hora, porque foi um estimulante debate, muito puxado pelo Joaquim Jorge (JJ) que deu ensejo a que Paulo Morais desse uma aula contra a corrupção que mina a economia portuguesa.
Como sempre faz, JJ apresentou o convidado, Professor universitário doutorado  e ex-presidente da Câmara do Porto com Rui Rio, a quem às tantas JJ perguntou porque se desfez essa dupla e se foi zanga. Paulo Morais disse que após o termo do mandato as visões de combate à corrupção tanto do Partido como de Rui Rio eram diferentes e por isso não poderia continuar.
Mas antes, Paulo Morais realçou as virtudes do CdP, como espaço de Liberdade e que hoje é mais importante que no início, não só porque é uma marca de qualidade e curriculo, mas porque a sociedade portuguesa não tem liberdade, ou esta é muito mitigada e vive de medos. As pessoas têm medo até do que não sabem. O poder político foi capturado pelo poder económico, que capturou a imprensa, onde jornalistas têm vínculos precários que obedecem às ordens do dono. Por isso, o CdP é mais importante hoje, que no passado, porque faltam em Portugal espaços de debate e liberdade como este.
Paulo Morais disse que gostaria de um dia ser lembrado como aquele cidadão que ousou enfrentar os interesses instalados e se candidatou à Presidência da República sem apoios dos partidos ou grupos económicos e conseguiu um excelente resultado com uma campanha sóbria. De facto, Paulo Morais disse que a sua campanha está orçada em 170 mil euros que será financiada por donativos individuais módicos, de 5 a 100 euros, no máximo, pois considerou ser a única forma de ser livre e não ficar atrelado a interesses que capturam o político. Exemplificou o que se passou nas anteriores eleições, que custaram quase 6 milhões, financiadas pelas grandes famílias dos grupos económicos, que assim capturaram quem apoiaram. E deu exemplos dos dois últimos PR, questionando porque é que Jorge Sampaio não travou as criminosas PPP rodoviárias ou porque Cavaco não vetou a norma do orçamento que concede isenção de IMI aos fundos de investimento imobiliário? E está tudo ligado. No primeiro caso foi a sociedade que elaborou a lei das PPP rodoviárias que mais penaliza Portugal, pois as concecionárias privadas têm 20% de rendimento independentemente de passar qualquer veículo, devido a cláusulas confidenciais como a disponibilidade de área e exemplificou com a A28 de Porto a Viana do Castelo em que recebem 50 milhões anuais ao abrigo desta cláusula abusiva.
No segundo caso, o Coordenador da campanha de Cavaco foi Alexandre Relvas, Presidente do maior fundo de investimento imobiliário.
Paulo Morais perguntou como é que a constituição pode estar a ser aplicada quando não há proporcionalidade no pagamento dos impostos? Neste caso um cidadão com um apartamento ou casa paga IMI, mas uma sociedade imobiliária com centenas de propriedades está isenta.
Paulo Morais, como Presidente vetaria estas normas. Tanto do IMI, quanto a pagamentos indiscriminados de avultadas verbas confidenciais nas PPP rodoviárias, ambos casos gritantes que obrigam ao Estado cobrar mais impostos, mais IVA, mais taxas e sobretaxas.
Ainda sobre a corrupção, Paulo Morais além de nomear diversos casos, designadamente BPN, submarinos, Euro 2004, BES, Banif, BPP, PPP rodoviárias da era Sócrates, que corrói a economia portuguesa e é responsável por 30% da dívida pública. Corrupção que é sistémica, ou seja, perpetrada pelos próprios políticos, ou seja, os deputados advogados que influenciam a legislação para beneficiar as empresas de advogados para quem trabalham e deu exemplos gritantes de incompatibilidades, como a do advogado e deputado do PS Vitalino Canas que é parte interessada no grupo Aga Khan ou os deputados advogados Matos Correia (CDS), José Luis Arnaut (PSD) com negócios nas sociedades de advogados com António Vitorino (PS), que é sócio de Paulo Rangel (PSD), etc., etc. Sociedades de Advogados (grandes sociedades), que albergam deputados advogados dos 3 partidos do arco da governação, que levam milhões para fazer as principais leis do país, nitidamente para favorecer os seus clientes, e depois recebem milhões para dar pareceres sobre elas e ainda vêm os privados pagar para que estas sociedades litiguem contra o Estado, que lhes pagou para fazer as leis.    
Também não teve medo de falar do caso Sócrates, escusando-se comentar o processo judicial porque não o conhece, mas sob o ponto de vista político, Paulo Morais não tem dúvida que Sócrates é o grande representante da grande corrupção em Portugal. Inaugurou as PPP rodoviárias sem o comparador público (compara a solução tradicional executada pelo Estado com a com privados) com prejuízos incalculáveis para o erário público (e Paulo Morais nem precisou de falar em Paulo Campos, filho do deputado António Campos que foi o mestre de cerimónias nestas PPP, inclusive alterando cláusulas a beneficiar escandalosamente privados em PPP, pouco antes de deixar o cargo de secretário de estado no governo Sócrates). Também foi Sócrates que nacionalizou os prejuízos do BPN, deixando praticamente todo o património nas mãos dos privados (Sociedade Lusa de Negócios).
Paulo Morais, é candidato a Presidência para que seja cumprida a Constituição, que genericamente considera equilibrada e defensora dos principais valores, desde a dignidade de tratamento a todos os portugueses, que nos últimos 20 anos tem sido vilipendiada.
Considera o candidato, que Portugal é um país onde todos podem viver bem e com dignidade e no entanto, quase todos vivem mal porque há uns poucos que arrecadam privilégios ilegítimos e que têm rendimentos garantidos e isentos de impostos em muitos casos, à revelia da constituição, sem que os últimos PR tenham feito nada para contrariar, justamente porque estão atrelados a interesses que os capturaram.
Uma noite em cheio com uma aula de coragem por parte de Paulo Morais que deu provas de ser firme, idóneo, com postura ética acima de qualquer suspeita e pode devolver a Portugal um Presidente que é de facto de todos os Portugueses.
Parabéns Joaquim Jorge pelo presente de Natal no CdP com mais um excelente e animado debate a encerrar o ano.